Artesania e tradição em papel: forma, cor, memória e poesia

O papel, material tão delicado quanto precioso, é uma maravilhosa herança vinda na China que através dos séculos cruzou as Índias e chegou à Península Ibérica com a expansão muçulmana. Aportou no Brasil com a colonização portuguesa, embrenhou-se do litoral aos mais profundos sertões e há muitas gerações também faz parte do DNA cultural do povo brasileiro. 

 

Em meados da década de 1980, ainda como acadêmica da Escola de Belas Artes da UFMG, Bernadete Fiorini iniciou extensa pesquisa no campo da cultura popular focada no uso desse material como base para confecção de objetos de cunho folclórico, lúdico, utilitário e artístico. 

Um dos pontos principais desse trabalho ainda em curso é o maravilhoso universo dos antigos objetos decorativos em papel que, apesar do triste  decréscimo  da manufatura em oposição à frieza da conveniência da compra do produto  industrializado, ainda enfeitavam com sua cor e leveza usos e costumes  em metrópoles, cidades do interior e zonas rurais: recortes rendados , lanternas, rosáceas, guirlandas, balões, bandeiras, estandartes, flores,  casas de abelha, além de brinquedos, utilidades e outras antigas invenções.

Tingimentos aquosos e etílicos, naturais e químicos, tecidos, madeiras , bambus e aviamentos completam a atmosfera lúdica e poética dessas peças, que sobrevivem pelo mérito de sua inteligência construtiva aliada à beleza e simplicidade, seja como decoração doméstica, motivo visual nas festas populares ou em brinquedos tradicionais.

 

Ao longo dos anos, as viagens da Cia. Fiorini e o contato de nossa equipe com manifestações populares, artesãos e festeiros sempre foi importante estímulo e fonte de dados para ampliar esse resgate cultural e inspirar reinterpretações criativas. Esse trabalho naturalmente se desdobrou em duas vertentes: a primeira é a artística, onde materiais modernos são somados aos tradicionais para transformar o papel, esse material tão simples, em objetos poéticos e surpreendentes, tanto pelo processo de confecção, quanto pelo resultado visual e tátil. A segunda vertente é a pedagógica onde, na contramão do fenômeno global da proliferação de objetos industrializados, a Cia. Fiorini trabalha a "repopularização" desses conhecimentos partilhando saberes ancestrais na OFICINA DE ARTESANATO FOLCLÓRICO EM PAPEL. As peças resgatadas foram estudadas, catalogadas, planificadas graficamente e organizadas em apostilas  que revigoram a continuidade dessas belas tradições (menos a do famoso “guardar o segredo de como fazer”, tola vaidade que  contribui para a extinção das técnicas e tradições). Para a alegria de muitos curiosos, a internet também tem sido importante ferramenta facilitadora desse resgate, acessibilizando alguns desses tesouros a quem se dispõe a garimpá-los. Porém, mesmo com as benesses da tecnologia, nada substitui o ritual mágico do encontro dos grupos de trabalho.

Assim o papel, esse delicado e generoso meio de expressão, continuamente nos surpreende com as possibilidades de seu  potencial artístico e antropológico. Ele é base para materializar delicadas poesias de formas,  cores, da luz e do vento que alegremente assopra nossas doces memórias das festas no interior!

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